Astrônomos atacam Elon Musk e a constelação de satélites da SpaceX

A SpaceX colocou em órbita os primeiros 60 satélites da constelação Starlink, a primeira parte do projeto que pretende oferecer internet de banda larga no mundo todo a baixo custo. Ao operar em órbita baixa (a apenas 550 km da Terra), a Starlink permite uma conexão terrestre de baixa latência, superando os atuais sistemas de internet via satélite. Ainda assim, o empreendimento de Elon Musk está incomodando muita gente, especialmente a comunidade científica.

O grande problema é que os satélites são mais visíveis a olho nu do que o esperado, provavelmente porque seus enormes painéis solares refletem a luz solar. Com isso, eles ficam brilhantes perto do nascer e do pôr do sol. Em outras palavras, já pensou no que pode acontecer com o céu noturno quando a SpaceX terminar de lançar os 12 mil satélites que pretende colocar em órbita? E quando a Amazon se juntar à corrida com uma constelação de 3.200 deles?

Depois que o holandês Marco Langbroek publicou o vídeo acima com os 60 satélites voando juntos, a comunidade de astrônomos movimentou ataques contra a SpaceX e seu CEO, Elon Musk. Eles argumentam que o brilho dos satélites Starlink poderia interferir nos trabalhos de observação, e o que é pior: arruinar o céu noturno para todas as pessoas.

O astrônomo Alex Parker escreveu no Twitter que o projeto da SpaceX pode fazer com que existam mais satélites em órbitas baixas que estrelas, uma vez que são 9 mil delas presentes no céu noturno. Antes do primeiro lançamento da Starlink, Elon Musk respondeu às preocupações sobre a poluição do céu e sobre o possível aumento de detritos espaciais: ?Nós não queremos banalizar ou brincar com o tema do lixo espacial. Certamente, levamos isso a sério. Mas não é que o espaço esteja cheio, é extremamente vazio.

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Elon Musk não parou por aí. Ele voltou à rede social outras vezes para minimizar a questão da visibilidade dos satélites, e explica: Existem 4.900 satélites em órbita e as pessoas os percebem em 0% do tempo. A Starlink não é vista a menos que você olhe com muito cuidado, e isso terá um impacto de 0% no progresso da astronomia. De qualquer forma, temos que colocar os telescópios em órbita. A atenuação atmosférica é terrível.

Mais tarde, o CEO da SpaceX relatou ter pedido para que a equipe da Starlink reduzisse o albedo dos satélites, isto é, o reflexo dos seus painéis. Ele acrescentou que gostaria de aproveitar os lançamentos da Starlink para enviar novos telescópios espaciais à órbita da Terra. Na visão de Musk, "ajudar bilhões de pessoas economicamente desfavorecidas é o bem maior", e ele promete que isso "não terá nenhum efeito material nas descobertas astronômicas".

Pessoas que avistaram os satélites da empresa de Elon Musk no céu, os confundiram com OVNIs.

O site holandês UFO Meldpunt Nederland, que reúne relatos de histórias sobre avistamento de OVINs e invasões extraterrestres, foi inundado com mais de 150 relatos de observadores que descreveram um "estranho trem de estrelas ou luzes em movimento pelo céu a uma velocidade constante"  descrição fantasiosa bem mais atraente do que simplesmente satélites Starlink.

Os "discos voadores" da SpaceX, que já estão em órbita, foram lançados por um foguete Falcon 9 que decolou de Cabo Canaveral, na Flórida, por volta das 22h30 (23h30 em Brasília) na quinta-feira passada, 23. A cadeia brilhante de satélites no céu foi vista ao longo dos dias seguintes nos Estados Unidos, Austrália, Reino Unido, Canadá e outros lugares. Mas o ?trem? Starlink será visto temporariamente, porque os dispositivos se afastarão cada vez mais a medida que aumentarem sua posição na órbita da Terra.

Langbroek avistou o show de satélites Starlink de uma estação de rastreamento localizada em Leiden. Usando os dados do lançamento da semana passada, o astrônomo calculou uma provável órbita de busca, preparou sua câmera e foi devidamente recompensado. Como os dispositivos tinham acabado de ser implantados, ainda estavam alinhados em uma fila única.

Os 60 satélites são a primeira parte da constelação de internet Starlink. Cada um deles pesa 227 quilos, é equipado com propulsores próprios para se posicionar a 550 quilômetros e tem tecnologia contra colisão com outros dispositivos. Apesar da previsão de uma altitude mais alta, eles estão em uma órbita baixa a 440 quilômetros.

O objetivo dos lançamentos é criar um sistema de telecomunicação que forneça uma ampla cobertura global de acesso à Internet a baixo custo, provendo conexão para áreas remotas. A SpaceX não espera que esses satélites durem mais de cinco anos e pretende substituir os antigos por modelos mais modernos ao longo do projeto.

Para a rede atingir capacidade operacional, serão necessários pelo menos 800 satélites em órbita, de um total de mil que constituirão o sistema para tornar o projeto economicamente viável. Mas a rede pode ser formada por até 12 mil satélites em diferentes níveis de órbita.

Colocar os 800 sátelites em órbita exige mais uma dúzia de lançamentos. Com isso, podemos esperar por mais espetáculos dos dispositivos atravessando o céu e assustando pessoas que os confundem com OVINs.

Fonte: olhardigital.com.br e es.gizmodo.com

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