CUBA E NICARÁGUA NA MIRA  DOS ESTADOS UNIDOS.

CUBA E NICARÁGUA NA MIRA DOS ESTADOS UNIDOS.

RÚSSIA DIZ: ALÉM DA VENEZUELA, QUEREM CUBA E NICARÁGUA

Algumas autoridades dos Estados Unidos têm insistido que o presidente da Venezuela Nicolás Maduro renuncie em prol do líder da oposição. Particularmente, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, declarou na semana passada que "os dias de Maduro estão contados". Esta declaração significa que Cuba e Nicarágua serão os próximos, disse o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov

Algumas autoridades dos Estados Unidos têm insistido que o presidente da Venezuela Nicolás Maduro renuncie em prol do líder da oposição. Particularmente, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, declarou na semana passada que "os dias de Maduro estão contados". Esta declaração significa que Cuba e Nicarágua serão os próximos, disse o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

O diplomata assinalou que a Doutrina Monroe "empalidece" perante a que está sendo formada agora e que significa que os norte-americanos se apropriam do direito de usar a força em qualquer lugar que queiram para derrubar governos de que não gostam.

Moscou está trabalhando com os países que estão igualmente preocupados com a possibilidade de um cenário militar na Venezuela para prevenir o uso da força durante a crise, segundo Sergei Lavrov, acrescentando que isso mina o direito internacional.

"Nós estamos trabalhando ativamente com todos os países que estão igualmente preocupados com a perspectiva de uma solução militar. Não é por acaso que os dirigentes do Brasil, por exemplo, afirmaram que não participariam, nem concederiam o seu território para ações agressivas dos EUA contra a Venezuela", disse o ministro.

Moscou leva em consideração que nenhum país da América Latina, inclusive o Grupo de Lima, apoia o uso da força na Venezuela, declarou Lavrov, apelando aos EUA para acatarem a posição deste grupo de países.

"Nós também reparamos nas provocações destinadas a romper a fronteira [venezuelana] sob o pretexto de fornecimento de ajuda humanitária para as vítimas. Este cenário bem conhecido prevê declarações subsequentes e tentativas de invasão militar", afirmou o ministro.

As declarações de Lavrov apareceram alguns dias depois de o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, ter dito que Washington continuaria a exercer pressão sobre o presidente venezuelano Nicolás Maduro até que ele entendesse que os seus dias estavam "contados", acrescentando que os EUA não excluem o cenário militar.

 

Leia o discurso de 23/10/18 completo dos EUA contra Cuba, Nicarágua e Venezuela
Conselheiro de Trump, Bolton usou tom reminiscente da Guerra Fria.

O conselheiro de Segurança Nacional dos EUA , John Bolton , fez um discurso de tom linha-dura contra o que chamou de “troica da tirania”, formada por Cuba, Nicarágua e Venezuela . Ele prometeu que os Estados Unidos combaterão estes três governos até a sua queda, afirmando que o continente não pode viver “à sombra da ameaça do socialismo”. Além disso, elogiou o presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, afirmando que o seu futuro governo é visto "como um sinal positivo" por Washington.

Estas são as verdadeiras consequências do comunismo e do socialismo. Este é o preço da extinta chama da liberdade.

Como o presidente já disse, os problemas que vemos na América Latina não surgiram porque o socialismo foi implementado de forma deficiente. Pelo contrário, os povos cubano, venezuelano e nicaraguense sofrem com a miséria porque o socialismo tem sido implementado efetivamente.

Em Cuba, uma ditadura brutal sob a fachada de uma nova figura continua a minar as instituições democráticas e a prender e torturar oponentes.

Na Venezuela e na Nicarágua, líderes autocráticos desesperados, empenhados em manter o controle do poder, uniram-se aos seus homólogos cubanos no mesmo comportamento opressivo de prisões injustas, torturas e assassinatos.

Esta troica da tirania, este triângulo de terror que se estende de Havana a Caracas até Manágua, é a causa do imenso sofrimento humano, o ímpeto da enorme instabilidade regional e a gênese de um sórdido grau de comunismo no Hemisfério Ocidental.

Sob o presidente Trump, os Estados Unidos estão tomando medidas diretas contra os três regimes para defender o estado de direito, a liberdade e a decência humana básica em nossa região.

Como o presidente repetidamente deixou claro, a segurança e a prosperidade dos EUA se beneficiam quando a liberdade prospera perto dos nossos litorais.

Em Cuba, continuamos firmemente ao lado do povo cubano e compartilhamos das suas aspirações por mudanças reais e democráticas.

Os membros deste governo nunca farão uma foto na frente do Che Guevara engessado sobre o ministério cubano que dirige a Polícia Nacional Revolucionária.

Como vocês sabem, esta organização é responsável por oprimir os dissidentes e suprimir todo tipo de liberdade conhecida pelo homem.

Nós não vamos glamourizar guerrilheiros marxistas para promover

uma ilusão de nossa própria glória.

Nossa preocupação é com sanções, não com selfies.

Sob este governo, não haverá mais canais secretos entre Cuba e Estados Unidos.

Nossa política é transparente para o povo americano e para o mundo verem.

Está encapsulada no Memorando Presidencial de Segurança Nacional-5 (NSPM-5), “Fortalecendo a Política dos Estados Unidos em relação a Cuba”.

E, em junho do ano passado, o presidente Trump veio até aqui em Miami para descrever a nova política do governo e anunciar o cancelamento do acordo unilateral e equivocado do último governo com o regime cubano.

Como ele disse então, os Estados Unidos não apoiarão um monopólio militar que abusa dos cidadãos de Cuba.

Sob nossa abordagem, detalhada no NSPM-5, os Estados Unidos estão aplicando a lei dos EUA para manter as sanções até que, entre outras coisas, todos os presos políticos sejam libertados, as liberdades de reunião e expressão sejam respeitadas, todos os partidos políticos sejam legalizados e supervisionados internacionalmente.

É importante que nossa política inclua ações concretas para impedir que os dólares americanos cheguem aos serviços militares, de segurança e de Inteligência cubanos.

Hoje, quero enfatizar que o NSPM-5 foi apenas o começo de nossos esforços para pressionar o regime cubano.

Desde o lançamento do NSPM-5, estamos reforçando as sanções contra os serviços militares e de inteligência cubanos, incluindo suas holdings, e fechando as brechas nos nossos regulamentos sobre sanções.

Além disso, hoje, o Departamento de Estado incluiu mais de duas dúzias de entidades pertencentes ou controladas pelos serviços militares e de inteligência cubanos à lista restrita de entidades com as quais transações financeiras de pessoas dos EUA são proibidas.

Os militares cubanos e as agências da Inteligência não devem se beneficiar desproporcionalmente dos Estados Unidos, de seu povo, de seus viajantes ou de seus negócios.

Em resposta ao ataque feroz à embaixada de Havana, já recebemos de volta o pessoal de nossa embaixada em Cuba.

Este presidente não permitirá que nossos diplomatas sejam alvo de impunidade. E nós não vamos desculpar aqueles que prejudicam os mais altos representantes no exterior invocando falsamente vídeos, ou inventando algum outro pretexto absurdo para o seu sofrimento.

Os Estados Unidos defenderão nossos cidadãos, nossos aliados e nossos amigos, quer eles frequentem nossa nova embaixada dos EUA em Jerusalém, cantem pedindo reformas em Teerã, ou lutem pela liberdade nas ruas de Havana.

Só nos envolveremos com um governo cubano disposto a empreender reformas necessárias e tangíveis — um governo que respeite os interesses do povo cubano.

Na Venezuela, os Estados Unidos estão agindo contra o ditador Maduro, que usa as mesmas táticas opressivas empregadas em Cuba há décadas.

Ele instalou uma Assembleia Constituinte ilegítima, desvalorizou a moeda para obter ganhos políticos e forçou seu povo a se inscrever em um serviço corrupto de distribuição de alimentos sob o risco de enfrentar a fome.

Estas ações criaram efeitos dominós prejudiciais em toda a região. A crise na Venezuela levou a um enorme desastre humanitário e à maior migração em massa no hemisfério. Mais de 2 milhões de venezuelanos desesperados fugiram das normas opressivas de Maduro desde 2015.


Infelizmente, esta tragédia humana era totalmente evitável. Maduro e seus companheiros são a causa singular de todo esse sofrimento.

A repressão do regime venezuelano é, naturalmente, possibilitada pela ditadura cubana. Os Estados Unidos apelam a todas as nações da região para que enfrentem esta verdade óbvia e deixem claro ao regime cubano que será responsabilizado pela contínua opressão na Venezuela.

Nos Estados Unidos, nossas demandas são simples e diretas. Pedimos a libertação imediata de todos os presos políticos venezuelanos; a aceitação da assistência humanitária internacional; eleições livres, justas e confiáveis; e passos legítimos para restaurar as instituições democráticas e o estado de direito na Venezuela.

Desde que assumiu o cargo, este presidente assinou quatro ordens executivas que miram a corrupção e o saque da economia venezuelana. Este governo sancionou mais de 70 indivíduos e entidades venezuelanos, incluindo o presidente e sua esposa, junto com membros seniores do seu regime. E nós cobramos uma designação de chefe de tráfico de drogas para um membro do círculo interno de Maduro.

Também condenamos o envolvimento do regime na morte, no início deste mês, de um vereador da oposição venezuelana sob a custódia dos serviços de inteligência, e também nos manifestamos contra a tortura de outro vereador da oposição em agosto.

Hoje, também tenho orgulho de compartilhar que o presidente Trump assinou uma ordem executiva para impor novas e duras sanções contra a Venezuela.

As novas sanções mirarão redes que operam dentro de setores econômicos corruptos da Venezuela e lhes negam acesso à riqueza roubada. Mais imediatamente, as novas sanções impedirão que as pessoas dos EUA se envolvam com atores e redes cúmplices de transações corruptas ou fraudulentas do setor de ouro venezuelano, que o regime tem usado como um bastião para financiar atividades ilícitas, encher seus cofres e apoiar grupos criminosos.

Os Estados Unidos não vão tolerar o enfraquecimento das instituições democráticas e a violência implacável contra civis inocentes por Maduro.

Finalmente, na Nicarágua, os Estados Unidos continuam a condenar a violência e a repressão do regime de Ortega contra seus cidadãos e membros da oposição. Ortega e seus aliados têm instituições democráticas completamente erodidas, sufocaram a liberdade de expressão e impuseram uma política de prisão, exílio ou morte a opositores políticos.

O governo continua a deter ilegalmente manifestantes e a manipular leis para atingir civis inocentes. No início deste mês, um estudante que se manifestava foi detido ilegalmente e, até hoje, seu paradeiro permanece desconhecido de sua família.

Este comportamento é inaceitável em todos os lugares e, especialmente, no hemisfério ocidental. Eleições livres, justas e antecipadas devem ser realizadas na Nicarágua, e a democracia deve ser restaurada ao povo nicaraguense.

Até lá, o regime nicaraguense, como a Venezuela e Cuba, sentirá todo o peso do vigoroso regime de sanções dos EUA.

A troica da tirania neste hemisfério não vai durar para sempre. Como todos os regimes e ideologias opressivas, também irá encontrar o seu fim. Os povos de Cuba, Venezuela e Nicarágua são adversários temíveis, e se eu fosse Díaz-Canel, Maduro ou Ortega, eu temeria seu poder virtuoso.

Estes tiranos se imaginam fortes e revolucionários, ícones e luminares. Na realidade, eles são figuras grosseiras, lamentáveis e  mais parecidas com Larry, Curly e Moe. Os três lacaios do socialismo são verdadeiros crentes, mas adoram um falso Deus.

Nós sabemos que o seu dia de julgamento virá. Vemos suas origens nas valentes Damas de Branco, que corajosamente foram às ruas para defender suas famílias e toda Cuba. Sentimos seu arrepio na multidão em torno do caixão envolto em bandeiras de Orlando Cordoba, de 15 anos, morto em um protesto pacífico na Nicarágua. Nós ouvimos seu eco nos cantos do lado de fora de uma base militar venezuelana: “Liberdade! Liberdade! Liberdade!"

 Os Estados Unidos esperam ver cada canto do triângulo cair: em Havana, em Caracas, em Manágua.

Enquanto aguardamos esse dia fatídico, o povo da região pode ter certeza de que os Estados Unidos estão ao seu lado contra as forças da opressão, do totalitarismo e da dominação.

Olhem para o Norte, olhem para a nossa bandeira, olhem para vocês mesmos. A troica vai desmoronar. O povo vai triunfar. E o fogo da liberdade queimará calorosamente neste hemisfério.

Muito obrigado.

 

Aprovada, nova Constituição de Cuba confirma o socialismo e reconhece propriedade privada - Texto foi submetido a referendo no domingo e aprovado por 87% da população.

CUBA E NICARÁGUA NA MIRA DO EUA

Uma das principais mudanças colocadas em vigor com a nova Constituição é o reconhecimento da propriedade privada – ainda assim, sob forte supervisão do regime comunista. O texto também reafirma o socialismo como sistema político "irrevogável" da ilha governada por Miguel Díaz-Canel.

A Assembleia Constituinte, comandada pelo ex-presidente e então líder do Partido Comunista, Raúl Castro, começou as discussões em plenário em 21 de julho. Depois de aprovada pelos deputados, a proposta de Constituição passou por uma rodada de consulta popular – que incluiu participação de cubanos morando em outros países – até o plebiscito de domingo.

Constituição de Cuba é 'mensagem política', diz especialista
 
O anteprojeto constitucional começou a tomar forma depois que Raúl Castro passou a presidência para Miguel Díaz-Canel, em abril do ano passado. O texto a Constituição escrita em 1976, sob influência soviética e alinhada ao modelo de Estado comunista aplicado no país por Fidel Castro após a Revolução de 1959.

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O QUE MUDA:

Reconhecimento da propriedade privada e do enriquecimento individual – com limites;
Criação do cargo de primeiro-ministro para chefiar o governo;
Discriminação a pessoas LGBT passa a ser proibida;
Haverá um referendo para definir casamento civil entre pessoas do mesmo sexo;
Garantia de presunção de inocência e habeas corpus em processos criminais;
Estado laico – definição não aparecia no texto antigo;
Estabelece a liberdade de imprensa, antes vinculada aos "fins da sociedade socialista";
Determina 60 anos como idade máxima para o cargo de presidente da república;
Mandato de cinco anos para o presidente, com direito a uma reeleição;
Cubanos poderão denunciar violação de direitos constitucionais cometidos pelo governo.

O QUE NÃO MUDA:

Cuba continua um país comunista;
O Partido Comunista é o único reconhecido na ilha;
Economia planificada, embora haja reconhecimento ao mercado;
Somente o Estado detém posse das terras em Cuba;
Assembleia Nacional elege presidente e primeiro-ministro;
Meios de comunicação são de "propriedade socialista", jamais privados.

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O QUE NÃO ESTÁ CLARO:

Quais os limites para a propriedade privada;
Se haverá possibilidade do surgimento de uma imprensa livre e independente;
Como os cubanos poderiam denunciar violações de direitos cometidas pelo governo;
Se as mudanças serão suficientes para ampliar as relações de Cuba com outros países.

 

CRISE NA NICARÁGUA

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"O regime de Ortega condenou três líderes agrícolas a 550 anos de prisão por seu papel nos protestos em 2018, onde, segundo relatos, as forças policiais de Ortega mataram 300 ativistas. Como o presidente Trump disse na segunda-feira, os dias de Ortega estão contados e o povo nicaraguense em breve estará livre", tuitou Bolton.

Ortega, um ex-guerrilheiro de 73 anos que governa a Nicarágua desde 2007, enfrentou em abril passado protestos da oposição exigindo sua saída do poder, cuja repressão deixou 325 mortos, mais de 700 detidos e pelo menos 50 mil exilados, segundo grupos de direitos humanos e da oposição.
 

Entenda a crise na Nicarágua
 

A Nicarágua está envolvida atualmente em sua maior crise política e na maior onda de violência desde a Revolução Sandinista, que terminou com a ditadura da dinastia Somoza em 1979. Mais de 440 pessoas morreram nos últimos três meses em repressões a manifestações contra o governo de Daniel Ortega, que se nega a antecipar eleições presidenciais.

A brasileira Raynéia Gabrielle Lima, de 30 anos, se tornou uma dessas vítimas ao ser morta em Manágua, onde cursava medicina. Segundo Ernesto Medina, reitor da Universidade Americana em Manágua (UAM), ela foi alvo de tiros disparados por paramilitares, versão negada pela Polícia Nacional, que acusa um vigilante de segurança privada.
Trump disse em um evento em Miami na segunda-feira que "os dias do socialismo e do comunismo estão contados" na Venezuela, em Cuba e na Nicarágua, países que o próprio Bolton definiu em um discurso em novembro como a "troika da tirania".

Quando começou a atual crise da Nicarágua? Por quê?
 
O estopim para os conflitos foi a publicação de um decreto de regulamentação de reforma da previdência, que aumentava as contribuições de empresários e trabalhadores, em 18 de abril.
Os primeiros protestos aconteceram na capital Manágua no mesmo dia, já com confrontos entre manifestantes e membros da Juventude Sandinista, simpatizantes do governo. No dia seguinte ocorreram as primeiras três mortes, as manifestações se espalharam por mais cidades e o presidente Daniel Ortega mandou tirar do ar cinco canais de TV independentes.

Em 22 de abril 2018, Ortega revogou a Reforma da Previdência, mas os protestos – e confrontos – continuaram, agora já pedindo a renúncia do presidente. O número de mortes não parou de crescer.
Desde então o país já teve duas greves nacionais de 24 horas, universitários ocuparam a Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua (Unan) e um grupo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão ligado à OEA, visitou quatro cidades e denunciou uso abusivo da força policial e conivência com grupos paramilitares. O governo se reuniu com opositores sob mediação de bispos da Igreja Católica mais de uma vez, mas os diálogos não obtiveram sucesso.

Quem são os grupos envolvidos nos conflitos?

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As primeiras manifestações envolveram trabalhadores, indígenas e estudantes. Quando o movimento cresceu, já exigindo a renúncia de Ortega, os universitários se destacaram e tornaram-se também as maiores vítimas de violência, mas diversos setores da sociedade continuam participando dos atos.
Não existe uma liderança específica e não há um nome único que represente a oposição. As negociações para tentar encerrar os conflitos foram mediadas pela Igreja Católica, através de bispos da Conferência Episcopal, e envolveram representantes do governo e a Aliança Cívica pela Justiça e a Democracia, que reúne universitários, setor privado, camponeses e organizações civis.
 
A Polícia Nacional reprime manifestações violentas e, de acordo com Ortega, “jamais interferiu em nenhuma manifestação pacífica”, afirmação que é contestada pela oposição. O Exército se pronunciou em junho, pedindo o fim da violência, mas até o momento não atuou diretamente para atacar ou defender nenhum dos lados.
O grande problema são os grupos paramilitares, que agem com extrema violência e são acusados da grande maioria das mortes, detenções ilegais e desaparecimentos. Embora suas vítimas sejam os manifestantes, Ortega nega com veemência que esses grupos tenham qualquer conexão com o governo. “Durante a noite, quando não há manifestações pacíficas, há choques violentos provocados por forças paramilitares organizadas por pessoas que estão contra o governo”

O que diz a comunidade internacional? E o Brasil?
 
Daniel Ortega recebeu apoio dos presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e da Colômbia, Evo Morales, e uma declaração favorável do governo de Cuba. Por outro lado, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnudh) responsabilizaram o governo da Nicarágua por "assassinatos, execuções extrajudiciais, maus tratos, possíveis atos de tortura e prisões arbitrárias". De acordo com a CNN, o número de países que condenam as ações do governo Ortega já passa dos 50 e inclui os membros da União Europeia. O ministro espanhol de Relações Exteriores, Josep Borrell, inclusive desaconselhou viagens à Nicarágua afirmando que o país está “quase em guerra civil”.
 
O Brasil já estava na lista de países a criticar o governo nicaraguense, e elevou suas críticas nesta terça, após a morte da estudante brasileira Rayneia Gabrielle Lima em Manágua. “O governo brasileiro torna a condenar o aprofundamento da repressão, o uso desproporcional e letal da força e o emprego de grupos paramilitares em operações coordenadas pelas equipes de segurança, conforme constatado pelo Mecanismo Especial de Seguimento para a Nicarágua instalado para implementar as recomendações da Comissão Interamericana de Direitos Humanos”, diz trecho de comunicado divulgado pelo Itamaraty.

Quais são as cidades mais afetadas?
 
Além da capital, Manágua, onde foram registrados os maiores números de confrontos e mortes, há um grande foco de resistência em Masaya, cidade que em 19 de junho se declarou “território livre” do governo de Ortega e nomeou uma junta de “autogoverno”, e onde a população local bloqueou estradas e levantou barricadas nas ruas.
Por diversas vezes o local, símbolo da resistência à antiga ditadura de Somoza, foi alvo de ataques de grupos paramilitares, e estes circulam pelas ruas em camionetes, fortemente armados, intimidando a população. A situação também é especialmente tensa na cidade de Diriamba, onde um grupo de bispos foi atacado quando tentava entrar em uma igreja, mas casos de violência já foram relatados em praticamente todo o país.

 

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